CLICKAMBIENTE

Educação e percepção ambiental

11

de

novembro

Holística, sistêmica e interdisciplinaridade

  (*) A visão holística - segundo o Aurélio, é aquela que dá preferência ao todo ou a um sistema completo - veio como uma nova forma de enxergar o mundo, isto é, as partes isoladas de Descartes passaram a ter menos importância, dando espaço para a forma como essas partes se relacionam. Para isso, é necessário que exista uma concepção sistêmica, ou seja, uma forma que permita compreender o mundo através de suas relações, de seus sistemas. No entanto, compreender a realidade através de sistemas não descarta o conhecimento prévio de cada um dos componentes do sistema. Mas, diferentemente da visão ortodoxa, o conhecimento dos componentes necessita transcender à existência de cada um deles. Necessita-se compreender cada um como ele próprio e como parte de um todo maior que tem relações diversas, ricas e únicas.
      Se desde a criação da filosofia - como mãe da ciência - se viu a sua compartimentalização disciplinar em história natural, matemática, física, química, entre outras, hoje é necessário que exista uma reconexão. Não se trata de apenas juntar tudo de novo, mas sim de aprender e trocar o que se puder entre esses diferentes compartimentos - hoje na forma de disciplinas - fazendo que com o tempo e, através da interdisciplinaridade, possamos tornar essa conversa mais aberta e profunda.
      Na verdade, é a própria interdisciplinaridade que paulatinamente poderá fazer do desejo de se pensar e de se viver holisticamente uma realidade. Isto porque a interdisciplinaridade abre caminhos para a transdisciplinaridade que, segundo Piaget, não se contenta em atingir interações ou reciprocidades entre pesquisas especializadas, mas em situar essas ligações no interior de um sistema total sem fronteiras estáveis entre as disciplinas. Hoje, a interdisciplinaridade é um degrau importantíssimo para essa escalada.
      Embora a soma das partes não seja igual ao todo, ao confrontarmos diferentes conceitos / pontos de vista, cada um de nós também estará ampliando a própria experiência. Isso nos dará uma melhor dimensão do quão próximos ou distantes estamos deste holismo tão buscado, tanto na teoria quanto na prática.
      Então, uma aula de educação ambiental, que envolva a Matemática, as Artes, a História e a Geografia, além da disciplina de Biologia ou Ciências, não necessariamente será um trabalho transdisciplinar, onde todos os conhecimentos estejam intrinsecamente conectados, mas certamente poderá ser um passo imprescindível para que aprendamos juntos, na teoria e na prática, nos aproximando cada dia mais daquilo que realmente estamos perseguindo como espírito humano.

(*) Autor: Paulo Guilherme Stahnke

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