10
de
novembro
A era do supérfluo e do descartável
(*)Estamos vivendo a era do “supérfluo”, do “descartável”. O consumo indiscriminado de objetos cada vez mais descartáveis, que surgem principalmente na forma de embalagens, está levando o homem a uma produção contínua de resíduos. Este modelo de desenvolvimento sustentado, que visa apenas o crescimento econômico em detrimento de um modelo mais sustentável e mais social, está criando diversos desafios para as gerações futuras. Um destes desafios, e que está diretamente voltado para a sustentabilidade da vida e do meio ambiente no futuro, será o que fazer com todo este lixo gerado pelas gerações anteriores, visto que quase todo este resíduo – tóxico ou prejudicial para o nosso ambiente – leva anos e até mesmo centenas de anos para se decompor. O crescimento acelerado e cada vez mais desordenado das cidades, sem uma infra-estrutura básica que suporte e acompanhe o mesmo, causa o acúmulo de resíduos sólidos, que se trata do lixo doméstico orgânico e inorgânico, dos resíduos sólidos ou semi-sólidos provenientes das atividades industriais e de prestação de serviços e dos restos de vegetais oriundos das praças, parques, jardins e quintais.
De alguns anos para cá, com o aumento vertiginoso destes resíduos, os mesmos tornaram-se uma grande preocupação para o homem moderno, estando inserida a preocupação quanto ao seu destino na pauta dos grandes encontros mundiais sobre o meio ambiente, onde se discute a necessidade de uma maior destinação de verbas, da criação de mais projetos na área, além de melhores métodos e maneiras de reciclar eficazmente estes resíduos, de forma a diminuir o acúmulo dos mesmos na natureza. No Brasil, a promoção de hábitos de redução de lixo e a implantação da coleta seletiva voltada para a reciclagem e aproveitamento industrial é uma das ações e recomendações dentre as 21 ações prioritárias descritas na Agenda 21 Brasileira, estando contemplada dentro do objetivo 9 desta agenda (Universalizar o saneamento ambiental protegendo o ambiente e a saúde).
A correta destinação destes resíduos também está prevista no Código Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Lei Estadual Nº 11.520, de 03.08.2000), Título IV (Da gestão dos recursos naturais e da qualidade ambiental), Capítulo XII (Dos resíduos). Este artigo afirma que a segregação dos resíduos sólidos domiciliares na origem, visando ao seu reaproveitamento otimizado, é responsabilidade de toda a sociedade e será gradativamente implantada pelo Estado e pelos municípios, mediante programas educacionais e projetos de reciclagem. Apesar disto, ainda são muito tímidas as ações voltadas para transformar este objetivo em algo concreto. Para que isto ocorra, é necessário que haja mudanças de comportamento, de condutas e de valores em nossa sociedade atual. Estas mudanças só acontecerão no momento em que a sociedade adquirir uma percepção ambiental. Esta percepção ambiental, que pode ser descrita como o ato do homem perceber o ambiente em que está inserido, torna o cidadão mais consciente e faz com que ele aprenda a proteger e cuidar do mesmo, tornando-o mais responsável ao agir, ajudando na mudança de seus hábitos de consumo. Como educadores ambientais cabe a nós propagar estas idéias, cuidando para que as mesmas ajudem na transformação de uma sociedade mais sustentável, mais justa e mais consciente. Porém, para que isto ocorra, será necessário desfragmentar a visão individualista existente a partir da construção de uma visão coletiva de ambiente.
(*) Autor: Paulo Guilherme Stahnke

